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TJTO dispara phishing por SMTP oficial com link .gov.br em PDF limpo

Escrito por Luiz Claudio | 03/06/2026 17:21:01
Malware

TJTO dispara phishing por SMTP oficial com link .gov.br em PDF limpo

E-mail passou em SPF e DMARC porque saiu de um servidor real do tribunal.

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O que aconteceu Como o golpe funciona Sinais de alerta O que fazer agora Checklist pratico

Resumo rapido

Em 02/06/2026, a LC SEC detectou uma campanha de phishing brasileira que usou o servidor oficial do TJTO para disparar mensagens maliciosas. A mensagem passou em SPF e DMARC porque não havia falsificação — havia abuso de infraestrutura real. O anexo era um PDF sem código malicioso, com um único link apontando para outro servidor .gov.br comprometido, usado como redirecionador.

Neste artigo voce vai aprender:

  • Por que um e-mail com autenticação válida ainda pode ser perigoso.
  • Como o PDF foi usado para conduzir a vítima ao próximo estágio do ataque.
  • Quais indicadores devem ser monitorados pelas equipes de TI.
  • Como responder sem bloquear mensagens legítimas do tribunal.
  • Quais ações tomar se alguém clicou no link.

Servidor comprometido, não remetente falsificado

Em 02/06/2026, a LC SEC identificou uma campanha de phishing que usou o servidor oficial do TJTO — smtp2.tjto.jus.br, IP 177.0.107.28 — para entregar mensagens maliciosas. A checagem de autenticidade passou em SPF e DMARC porque o e-mail não era uma falsificação: saiu de uma infraestrutura governamental real que havia sido comprometida.

Isso muda completamente o perfil de risco. Não se trata de um atacante imitando o tribunal. O servidor do TJTO estava sendo abusado ativamente, o que confere ao e-mail toda a aparência de legitimidade — inclusive para ferramentas de segurança que dependem de autenticação de origem.

PDF limpo como vetor: como o encadeamento .gov.br funciona

A mensagem chegava com o assunto Encaminhamento - 1 Vara Criminal – TJ Estado do Tocantins e remetente contato@tjto.jus.br. O anexo era um PDF sem JavaScript e sem comportamento que antivírus tradicionais reconheceriam como ameaça. A única função do arquivo era induzir um clique.

O link dentro do PDF apontava para aquisicoes.seplag.mt.gov.br/signkit.jsp, um segundo endereço .gov.br comprometido, operando como redirecionador para o payload final. O encadeamento .gov.br → .gov.br é o padrão atual dos trojans bancários brasileiros: cada etapa parece legítima isoladamente, o que dificulta bloqueios baseados apenas em reputação de domínio.

Sinais que merecem atenção imediata

Mesmo quando o e-mail parece autêntico, alguns elementos devem acender o alerta:

  • Remetente vinculado a tjto.jus.br com conteúdo inesperado sobre intimação criminal.
  • Anexo PDF que não apresenta comportamento malicioso aparente, mas contém link para URL externa.
  • Presença do caminho signkit.jsp no corpo da mensagem ou dentro do PDF.
  • URLs no padrão *.gov.br/*.jsp fora do contexto operacional esperado.
  • Remetente específico observado na campanha: contato@tjto.jus.br.

Resposta cirúrgica: conteúdo, não domínio

Bloquear todo o domínio do TJTO não é a resposta certa — isso interromperia o recebimento de intimações legítimas. A medida mais eficaz é criar uma regra de conformidade de conteúdo no Google Workspace ou no Microsoft 365 para quarentenar mensagens que combinem dois critérios: remetente tjto.jus.br e corpo ou anexo contendo signkit.jsp.

Além da regra preventiva, é necessário fazer busca retroativa nos logs de e-mail e navegação. Procure cliques em URLs no padrão *.gov.br/*.jsp. Se houver clique confirmado, execute troca de senha, revogação de sessões ativas e análise do endpoint por EDR. O incidente deve ser reportado ao CERT.br e à equipe de TI do TJTO para contenção na origem.

Checklist de resposta ao incidente

  1. Criar regra no Google Workspace ou Microsoft 365 para quarentenar e-mails de tjto.jus.br que contenham signkit.jsp no corpo ou anexo.
  2. Vasculhar logs por acessos a aquisicoes.seplag.mt.gov.br/signkit.jsp e a URLs *.gov.br/*.jsp.
  3. Se houve clique: redefinir senhas, revogar sessões ativas e analisar o endpoint com EDR.
  4. Monitorar os IOCs: SHA-256 do PDF c5ebb398...6a6a36, IP 177.0.107.28 e remetente contato@tjto.jus.br.
  5. Reportar o caso ao CERT.br e à TI do TJTO para apoiar a contenção na origem.

Perguntas frequentes

Se o e-mail passou em SPF e DMARC, ele é seguro?

Não. SPF e DMARC validam a origem técnica da mensagem, não a intenção de quem a enviou. Neste caso, o servidor era real e havia sido comprometido — a autenticação passou porque o abuso aconteceu de dentro da infraestrutura legítima do TJTO.

Devo bloquear todos os e-mails do TJTO?

Não é a ação indicada. Bloquear o domínio inteiro interrompe intimações e comunicações legítimas. A abordagem correta é filtrar por conteúdo, combinando o domínio do remetente com a presença de signkit.jsp na mensagem ou no anexo.

Por que um PDF sem código malicioso ainda representa risco?

Porque o PDF não precisa executar nada — ele só precisa convencer a vítima a clicar. Mesmo sem JavaScript, o arquivo pode conter uma URI que direciona para a etapa seguinte do ataque. Antivírus tradicionais não bloqueiam o que não conseguem classificar como malicioso.

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Fontes: